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O Clube > História

81 anos de história e desporto

17 Mai 2006

Não é de todo fácil reconstruir em poucas linhas o itinerário fabuloso do mais carismático dos clubes desportivos moçambicanos sem, antes de mais, nos debruçarmos sobre determinados acontecimentos extra-desportivos que marcaram a sua trajectória.

Um percurso que leva a que determinadas correntes da sociedade não se coíbam em qualificar o CFVM como um dos principais fenómenos sociais do século passado em Moçambique. De uma forma condensada, eis um Clube cuja história se confunde com a própria história contemporânea de Moçambique.

Para melhor entender as bases desta correlação, torna-se útil rever sumariamente o quadro da vida sócio- desportiva moçambicana no princípio da década de 20 e sublinhar alguns momentos tempestivos que vão ter uma relação directa e ou indirecta, com o nascimento, a 13 de Outubro de 1924, de uma associação de carácter desportivo, recreativo e de beneficência que, por via do Alvará de 29 de Novembro do mesmo ano inserto no Boletim Oficial I Série N.o 48, aprova os seus estatutos com o nome do Clube Desportivo Ferroviário (CDFV), cuja equipa de futebol apresentava-se de camisolas pretas com gola e punhos verdes e de calções brancos debruados a verde .

A cultura e propaganda de todos os jogos desportivos para o desenvolvimento físico dos seus associados eram os principais objectivos da nova colectividade exclusivamente projectada para funcionários e trabalhadores da então empresa Caminhos de Ferro de Lourenço Marques (CFLM). Importa referir, porém, que apesar de tudo a criação do Ferroviário não foi tão pacífica como pode parecer. Que os fundandores fizeram-no numa perspectiva política, aparentemente direccionada para a desestabilização do 1 o de Maio, face ao carácter comunista e antifascista desta agremiação.

Na altura, autoridades coloniais incitaram os naturais (moçambicanos negros) integrados no 1° de Maio a insurgirem-se contra os brancos que estavam à frente do Clube, por forma a fazê-Ios abandonar os seus propósitos de transformá-lo num centro de negação ao fascismo. Mas como os tais brancos na sua maioria eram operários, laboralmente ligados aos Caminhos de Ferro, eles refugiaram-se na sua empresa para formar um novo clube. E que melhor lugar teriam eles, senão no seio dos operários ferroportuários, tradicionalmente lutadores, para prosseguir com os seus ideais?

Seja como for, os mentores do Clube Desportivo Ferroviário não ficaram por aí. Eles quiseram acompanhar a evolução dos CFLM que se transformaram em Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), uma empresa de maior abrangência territorial. É assim que a 27 de Novembro de 1940, em Assembleia-Geral, os sócios do CDFV transformam a sua colectividade em Clube Ferroviário de Moçambique (CFVM).

Um ano mais tarde, pela Portaria n.o 4.365, de 16 de Abril de 1941, o CFVM aprova os seus estatutos, através dos quais adopta, para as suas equipas desportivas, as actuais cores dos equipamentos: camisola com manga ou sem manga, de acordo com a modalidade, verde, listrada de branco no sentido vertical, com golas e punhos debruados a branco; e calção branco com ou sem motivos a verde.


 

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